SAIBA UM POUCO SOBRE “SYLLABUS”
"texto enviado: domingo, 13 de abril de 2008 16h30 Para: "Leonor Costa" Assunto: texto syllabus"
C.S - Uma das coisas que me encantou na Dança Esportiva assim que a conheci, foi a organização através dos syllabus:

  descrição do passo básico da Rumba na classe das danças latinas.
  • Passos definidos e com nomes que não são alterados de país para país. Descritos de forma inteligente.
  • Técnica exigente, boa para dançarinos de dança de salão que “querem mais”, que desejam continuar se desenvolvendo e se vêem limitados dentro da dança de salão. Ou para os que gostam de trabalhar a dança com concentração, pois é um treinamento que dá resultados rápidos. Em dois meses, você sente muita diferença no corpo e no movimento.
  • Técnica para interpretação de cada dança incluída no syllabus, que seria uma característica difícil de se descrever.
  • Árbitros devem conhecer a dança esportiva a ponto de já terem participado de competições, o que significa que conhecem o syllabus profundamente.
Para quê existe?

Conheço duas razões:

  1. para organização de concursos que julguem os mesmos parâmetros – e por isso, de forma mais justa -, onde qualquer pessoa de qualquer lugar do mundo tenha condições semelhantes de concorrer. É o que vivenciamos hoje na salsa e na dança esportiva e que, junto com meus alunos, estudo freqüentemente;
  2. para regularizar, sistematizar, organizar uma “fórmula” (no caso, a forma de dançar), para que ela possa ser aplicada em todo o mundo. É o caso de uma das vertentes do ballet, a Royal Academy of Dancing, cujo syllabus conheço em detalhes, desde os dez anos de idade. A Royal tem escolas em todo o mundo e organiza exames - baseados no syllabus de cada estágio - que conferem certificados. Há outras linhas de ballet clássico que seguem outros formatos, como a cubana, a russa, a francesa.

E a dança de salão brasileira com isso?

Há quem tenha a opinião que se deva codificar a dança de salão brasileira como uma só, de maneira que passaríamos a divulgar como “verdade” para o mundo, um único formato, uma única nomenclatura. Poderia ser para o samba, o forró, ou quaisquer outras danças. Sem dúvida, seria mais fácil para que dançarinos do mundo todo entendessem a nossa dança, de uma vez por todas.
Por outro lado, é preciso lembrar que a dança de salão é uma manifestação popular, cultural – pelo menos é assim que as instituições governamentais ligadas à cultura se referem à dança de salão, hoje. Entendendo uma manifestação cultural popular...

Toda atividade que é considerada manifestação popular significa que não tem organização, é natural e espontânea. Mas não d´ para dizer que a dança ensinada nas academias seja “natural e espontânea”. Se o professor exige postura, já deixa de ser espontânea, certo?
Entretanto, cada academia dá a sua cara, o professor passa em seu ensino o seu jeito de dançar, diferentes nomes de variações, sua personalidade no movimento... e se cada samba tem uma cara, se cada forró tem o sobrenome de seu professor, como padronizar?
Eu mesmo já criei muitas figuras, que “batizei” com o nome que foi conveniente no momento. Talvez alguém tenha inventado o mesmo passo, talvez em outra cidade, e tenha dado outro nome. E agora, José?
Outro problema: diferenças regionais
Veja o caso do forró, tantos estados no nordeste, tantas as diferenças na dança. E o forró universitário então? Adoro o paulista! Há o forró em que cavalheiro não se separa da dama, há o de passo miudinho, outro que gira bastante a dama, alguns deslocam muito enquanto outros não saem do lugar.

CS: No meu trabalho junto à CBDance (Confederação Brasileira de Dança Esportiva) tenho notado a grande diferença nas danças, de um estado para outro. Dá para dizer qual está “mais certo” que o outro?
O professor criador: registrar o nome adianta?
Não creio que faça muita diferença um professor registrar o nome de uma dança ou passo. Sei que há vários casos, fico com a sensação que estão perdendo dinheiro e se iludindo. Que diferença faz, de fato? Ficarão famosos? Serão considerados melhores que os outros? Impedirão de praticarem “sua criação”? A rapadura também foi registrada na Alemanha... Vai me dizer que foi um alemão que criou a rapadura???
Se a dança ou o passo for bom, vai ser amplamente praticado e passa a ser de “domínio público”, todo mundo pratica e não se preocupa em saber de onde veio (de qualquer forma, a minha opinião não é baseada em conhecimento jurídico).
Um dos casais de professores que trabalhou comigo, Eduardo e Monica, sem dúvida nenhuma, influenciou demais o forró universitário, visto que eram muito criativos, freqüentavam todas as casas de forró no início de sua “renovação” e até hoje, vejo muitos dos movimentos que inventaram (alguns horrorosos, não nego!) sendo praticados até hoje, até mesmo na Dança dos Famosos! Como provar isso? Sei que eles não têm a menor preocupação com isso, ficam felizes com essa possibilidade. Monica mora em Fernando de Noronha com o marido e o filhinho nascido lá. Eduardo é hoje um cidadão do mundo, viaja fotografando e continua artista.

Na dança esportiva
Não pensem que só o brasileiro estranha o samba internacional. O que pouca gente sabe é que os cubanos também não aprovam a rumba e o cha-cha-cha, assim como os austríacos rejeitam a valsa “vienense” praticada.
É preciso entender que essas diferenças têm um motivo histórico (assunto longo para uma próxima oportunidade), e que no momento em que foi criado o syllabus, fizeram-no como acharam conveniente, como ditava a moda, seguindo as tendências e possibilidades de organização.

Voltando à dança brasileira, ao syllabus, ...

Bem que seria bom organizar a dança de salão brasileira, pelo menos os concursos seriam mais justos e equilibrados...
Curiosidade:
O plural de syllabus é syllabi, combinado? Veja no site da CBDance, Confederação Brasileira de Dança Esportiva, os syllabi das dez danças, com os passos permitidos em cada classe.

Importante saber:

De 19 a 27 de julho, realizamos o II Congresso Internacional de Dança Esportiva da CBDance, em São Paulo.
Aprendemos mais o syllabi das danças latinas e standard de maneira natural, conforme vamos nos desenvolvendo na dança tudo fica mais claro e fácil.
Houve também cursos de arbitragem, oficinas, formaçã de treinadores, dançarinos e competidores.
A partir do II Congresso, casais forão selecionados para competir na América Latina e Europa em 2009.
Brasileiros têm tudo para se dar bem!
Atê a próxima!